Dor que persiste por semanas, inchaço sem explicação e dificuldade para caminhar são sintomas frequentemente atribuídos a lesões, esforço físico ou às chamadas “dores do crescimento”. No entanto, esses sinais também podem indicar um câncer ósseo, doença rara que exige diagnóstico precoce para aumentar as chances de cura.
De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), os tumores ósseos primários representam cerca de 0,2% de todos os casos de câncer. Apesar da baixa incidência, eles estão entre as principais neoplasias que atingem crianças e adolescentes. O osteossarcoma, por exemplo, corresponde a aproximadamente 3% a 5% dos cânceres infantojuvenis.
O ortopedista, traumatologista e especialista em Ortopedia Pediátrica e Oncologia Ortopédica, Dr. Denimar Nistal Sanches, explica que o maior desafio está na demora para o diagnóstico, já que os sintomas costumam ser confundidos com problemas comuns da infância e da adolescência.
“Embora seja uma doença rara, o câncer ósseo acomete principalmente crianças, adolescentes e adultos jovens. Muitas vezes, a dor é confundida com crescimento ou lesões esportivas, atrasando o encaminhamento ao especialista. Quanto mais cedo o diagnóstico, maiores são as chances de cura e menores as sequelas do tratamento”, destaca.
Segundo o especialista, dores que não melhoram com o tratamento convencional merecem investigação médica. Outros sinais de alerta incluem aumento de volume em alguma região do corpo, dificuldade para caminhar, mancar sem motivo aparente e fraturas provocadas por traumas leves.
“O câncer é uma possibilidade rara, mas precisa ser descartado quando há dor persistente acompanhada de aumento de volume”, alerta o médico.
Avanços aumentam preservação dos membros
O tratamento do câncer ósseo evoluiu significativamente nas últimas décadas. Se antes a amputação era uma realidade frequente, hoje os avanços da oncologia ortopédica permitem preservar o membro afetado em cerca de 80% a 90% dos pacientes elegíveis, dependendo das características do tumor e da resposta ao tratamento.
Além da quimioterapia e das técnicas cirúrgicas mais modernas, os pacientes podem contar com endopróteses, enxertos ósseos e métodos avançados de reconstrução, que favorecem a recuperação funcional e melhoram a qualidade de vida.
“Nosso objetivo não é apenas curar o paciente, mas garantir que ele possa retornar às atividades escolares, ao trabalho, ao esporte e tenha uma vida praticamente normal”, afirma o especialista.
Informação pode salvar vidas
Para o Dr. Denimar, a conscientização da população e dos profissionais de saúde é fundamental para reduzir o tempo entre o aparecimento dos primeiros sintomas e o início do tratamento.
Ele reforça que nem toda dor representa um câncer, mas sintomas persistentes não devem ser ignorados.
“O câncer ósseo é raro, mas existe. Valorizar os sinais de alerta, evitar a automedicação e procurar atendimento médico quando os sintomas persistem pode fazer toda a diferença no sucesso do tratamento e na qualidade de vida do paciente”, conclui.
